O Hospital das Forças Armadas (HFAR), através do Centro de Medicina Subaquática e Hiperbárica (CMSH), participou no congresso da European Underwater and Baromedical Society (EUBS), realizado de 14 a 18 de setembro, em Genebra, um dos principais encontros internacionais dedicados à Medicina Subaquática e Hiperbárica.
A participação portuguesa incluiu uma comunicação científica na sessão principal do congresso. Na sessão de encerramento, o Segundo-Tenente Gonçalo Pechirra, da Marinha Portuguesa, apresentou um caso clínico de vasculopatia livedoide, uma patologia rara associada a úlceras de difícil cicatrização, na qual a Oxigenoterapia Hiperbárica (OHB) foi utilizada como tratamento adjuvante após o insucesso das abordagens convencionais.
A evolução favorável do caso suscitou a discussão entre os especialistas presentes sobre a aplicação da OHB em situações clínicas complexas, permitindo partilhar a experiência do CMSH num contexto científico internacional.
A presença portuguesa estendeu-se à 11.ª Conferência de Consenso do European Committee for Hyperbaric Medicine (ECHM), com a participação da Direção do CMSH. O encontro destinou-se a atualizar as recomendações europeias relativas às indicações para OHB, com impacto na avaliação dos doentes e nos protocolos clínicos dos centros especializados.
Uma capacidade diferenciada ao serviço da missão militar e da população
Com uma atividade que conjuga as vertentes clínica e operacional, o CMSH dispõe de duas câmaras hiperbáricas multilugar, com capacidade para tratar simultaneamente até 22 doentes, incluindo doentes críticos sob ventilação mecânica invasiva. Desde 1992, assegura tratamentos programados e de urgência, 24 horas por dia, 365 dias por ano.
O Centro realiza cerca de 14 mil sessões de tratamento por ano, presta assistência a uma média de 77 doentes por dia e assegura anualmente mais de 2500 consultas de rotina e 350 de urgência. Entre as principais indicações para OHB encontram-se a doença de descompressão, a embolia gasosa, a intoxicação por monóxido de carbono, as infeções necrotisantes, as isquémias agudas e as feridas de difícil cicatrização.
Mantendo a sua missão de apoio aos mergulhadores e submarinistas da Marinha Portuguesa, o CMSH presta igualmente assistência à população civil, maioritariamente referenciada pelo Serviço Nacional de Saúde.
A participação no congresso da EUBS e na Conferência de Consenso do ECHM reforça a integração do CMSH na comunidade científica europeia e evidencia o contributo das Forças Armadas Portuguesas para o desenvolvimento e a partilha de conhecimento no domínio da Medicina Hiperbárica.
Fonte: HFAR, 29 de setembro de 2026







